Introdução

O homem pós-moderno considera que os dias da pregação estão contados. Segundo alguns profetas agoureiros da igreja, essa é uma arte que agoniza, pois é uma forma obsoleta de comunicação, o “… eco de um passado abandonado”.1 Segundo eles, a pregação não só tem sido superada pelos meios de comunicação da pós-modernidade, como também é um meio incompatível à atmosfera atual.

De fato, essa é uma mentira envolvente e sutil, perpetrada pelo diabo, a qual lhe tem concedido uma vitória estratégica, silenciando eficazmente alguns pregadores, e desmoralizando aqueles que continuam a pregar. Estes chegam a seus púlpitos “… como homens já derrotados antes mesmo da batalha começar”.2
Consideraremos algumas pastorais abordando as principais raízes do descrédito contemporâneo da pregação: a influência da televisão, da internet, a aversão às autoridades, e a desconfiança do evangelho.

A influência da televisão

É a televisão um sério rival para a pregação como meio de comunicação? Será que o aparelho na sala tem substituído ao púlpito na igreja?
Sem dúvida alguma a televisão é um fator de importância na vida de todos. É extremamente difícil estimar de forma equilibrada os efeitos sociais da televisão. Não podemos negar seus efeitos positivos e benefícios. A televisão nos permite participar de eventos, os quais de outro modo estaríamos excluídos por falta de tempo, privilégios, dinheiro ou saúde. É possível participar de grandes eventos de celebração ou luto nacional, também viajar ao estrangeiro quando não seria possível financiar uma visita pessoal, e conhecer algumas maravilhas da natureza. Podemos ver filmes, peças de teatro e eventos esportivos, como a copa do mundo, por exemplo. A televisão ainda nos mantém informados quanto às notícias locais, nacionais e mundiais.

Todavia, John MacArthur Jr. nos adverte contra os efeitos negativos da televisão. Segundo ele, “… a televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem”.3
Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque, argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.

Em seu livro intitulado Amusing Ourselves to Death (Divertindo-nos até a morte), Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da história, a televisão tem inundado nossas mentes com informações irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana. Ele ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas informações, isolando-as de seu contexto.4

MacArthur ainda observa que sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. “Esse homem não crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros. Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras”5

Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções por influência também da mídia televisiva. Na definição pós-moderna, a “boa” pregação (ou seja, aquela que atenda ao homem pós-moderno) tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16). Certamente, a televisão dificulta o escutar com atenção aos sermões porque leva as pessoas a se tornarem pouco críticas intelectualmente, insensíveis emocionalmente e confusas psicologicamente.6

Infelizmente, a televisão tem sido o pastor de muitas famílias cristãs. Muitos tem trocado até mesmo o privilégio de se congregar por jogos, novelas e filmes. Não é à toa que nossa geração é capaz de ficar horas sentada assistindo um programa televisivo, mas considera insuportável assistir um pregador falar por um pouco mais de meia hora de relógio.
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1John Stott, La Predicación: Puente Entre Dos Mundos, (Grand Rapids: Baker, 1997), 45.
2Ibid.
3John F. MacArthur Jr., O Declínio da Pregação Contemporânea, em “Fé Para Hoje”, nº 6, (2000): 1.
4Neil Postman em John MacArthur, O Declínio da Pregação Contemporânea, em “Fé Para Hoje”, nº 6, (2000): 2.
5MacArthur Jr., O Declínio da Pregação, 2.
6Stott, Puente Entre Dos Mundos, 68.

Pr. Alan Kleber