Introdução

Na última pastoral, aprendemos que a tecnologia, com todo o seu avanço, deve servir aos homens e não escraviza-los. De fato, se não começarmos a fazer alguma coisa, criaremos uma geração desconcentrada, irreverente, que no futuro verá a Bíblia com mais um aplicativo para seu smartphone. Criaremos filhos que, seguindo o nosso exemplo, entenderão que Deus pode nos esperar em meio ao culto, enquanto fala conosco por meio da exposição das Escrituras, porque precisamos dar mais uma olhada nas atualizações das nossas redes sociais.

Certamente, o uso excessivo da internet dificulta o escutar com atenção aos sermões porque leva as pessoas a se tornarem pouco críticas intelectualmente, insensíveis emocionalmente e confusas psicologicamente. Hoje veremos outra causa do descrédito contemporâneo à pregação do Evangelho: o protesto e rebelião contra todo o tipo de autoridade.

A Aversão às Autoridades

Embora este fenômeno de protesto e rebelião contra as autoridades não seja algo novo na história da humanidade (leia o Salmo2), possivelmente testemunhamos em nossos dias a maior revolta consciente avessa a todo e qualquer tipo de autoridade. Nossa nação tem presenciado o espírito questionador da sociedade pós-moderna em busca da “verdadeira liberdade”, através dos protestos espalhados por todo o território brasileiro, muitos deles violentos, rebeldes e subversivos.

Todas as autoridades, antes respeitadas e aceitas pela sociedade mundial (a família, a escola, a universidade, o estado, a Bíblia, o papa, Deus) estão sendo questionadas. Em um país onde tudo é relativo não há lugar para verdades absolutas. O resultado, portanto, é a tendência de se ver o púlpito como um símbolo de autoridade ante a qual se rebelam.

John Stott observa que “… a igualdade educacional, ao menos no ocidente, tem aguçado as faculdades críticas das gentes. Hoje todos têm suas próprias opiniões e convicções, e as consideram tão boas como as do pastor”1.

Charlie Watts, da banda inglesa The Rolling Stones, expressa bem a atitude e o espírito dos nossos dias quando diz: “… me oponho a qualquer forma de pensamento organizado. Me oponho à religião organizada, como a igreja. Não vejo como é possível organizar dez milhões de mentes para pensar o mesmo”2. Outros deram um passo a mais e se opuseram a qualquer tipo de pensamento, seja organizado ou individual.

Portanto, no mundo em que vivemos não é possível organizar as mentes e não é permitido forçar as pessoas a terem uma ideia determinada. Nenhuma instituição, não importa quão venerável seja, tem o direito de impor uma ideia sobre os outros por força de sua própria autoridade. Tampouco pode uma ideia impor-se a si mesma sobre todos os outros, visto que não existe tal coisa como uma verdade absoluta e universal. Pelo contrário, tudo é relativo e subjetivo. Antes de poder crer em qualquer ideia, ela deve provar ser autêntica para mim, em forma pessoal; e antes que se espere que alguém creia nela, deve ela por si mesma demonstrar ser autêntica. Até que isto aconteça não devemos nem podemos crer.

O reflexo de homens sem temor a Deus é o desejo de emancipação de todos os princípios norteadores de uma cosmovisão onde Deus é a referência máxima. Eles trocam a verdade pela mentira, à justiça pela injustiça (Rm 1.18 ss). Quando uma sociedade vive como se Deus não existisse, ela decide, legisla e lidera segundo o seu coração e não segundo a Palavra de Deus.

Conclusão
Nossa sociedade precisa conhecer a verdade universal e absoluta: Jesus Cristo é o Senhor e Juiz de toda a terra (Sl 2). A Igreja de Cristo tem um importante papel kerigmático (proclamador) a cumprir. É preciso anunciar a todos, inclusive àqueles que nos governam que se persistirem pecando, morrerão em seus próprios pecados. Mas, o papel profético da igreja também é o de pregar que Jesus Cristo é o Salvador do mundo (Jo 3.16). Por isso todos aqueles que se refugiam nEle são bem-aventurados, porque nele há salvação, felicidade e segurança.

Pr. Alan Kleber
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1John Stott, La Predicación: Puente Entre Dos Mundos, (Grand Rapids: Baker, 1997), 48.
2Charlie Watts em John Stott, La Predicación: Puente Entre Dos Mundos, (Grand Rapids: Baker, 1997), 50.