Texto Bíblico: Leia Zacarias 3

Introdução

Não devemos esquecer que os profetas escreveram a pessoas reais em situações reais da vida. No caso de Zacarias, os exilados que haviam retornado para reconstruir o templo sentiram-se sobrecarregados com o seu fardo. Ageu os repreendeu por cuidar de suas próprias casas, enquanto negligenciavam o templo. Então, ele os exortou e os encorajou falando como eles se cansaram diante do desafio que receberam de Deus.

O povo estava sentindo a pressão da oposição local e por isso o profeta lhes assegurou a ajuda do Senhor. Junto com a reconstrução do templo também havia a necessidade de se restabelecer a sua adoração. Isso não foi uma tarefa simples, já que a geração daqueles que participaram da reconstrução do templo nunca tinha observado em primeira mão a adoração no templo, salvo algumas exceções. Somado a isso, eles haviam estado sob a influência dos babilônios e persas durante o seu exílio e toda a sua inclinação religiosa corrompida.

O homem chamado para conduzir os exilados na tarefa de restaurar a centralidade da adoração ao Senhor na vida do povo foi o Sumo Sacerdote Josué. Foi nesse momento que Josué sentiu sua própria indignidade de liderar o serviço santo de culto a Deus. Este é o lugar onde nós nos identificamos com o sumo sacerdote Josué.

De modo que, uma das lições mais importantes que precisamos aprender dessa passagem é sobre a seriedade de adorar ao Senhor. O culto não é um ato ocasional por parte do pastor, dos presbíteros, diáconos e congregação. Nele, procuramos entrar na presença do Senhor, a fim de contemplá-lo através da Palavra pregada, para rasgar o nosso coração diante DELE para a limpeza e renovação, e para honrá-Lo com o nosso coração e lábios. Assim como Josué sentiu tamanho peso na adoração, devemos também experimentar o mesmo a fim de que possamos receber a provisão de Deus para adorá-Lo. E essa disposição se encontra continuamente no evangelho.

I. O Indigno feito digno

Por que Josué se sentiu indigno? Como o representante de Israel ele assumia o peso da responsabilidade de mediar a nação e sua vida de adoração. E todos estavam impotentes: (1) Pela consciência de pecado e fracasso em obedecer, (2) Pela consciência da santidade de Deus, e (3) Pela condenação por parte de Satanás.

1 – O acusador repreendido pelo SENHOR (vv. 1-2)

Em meio as oito visões que Zacarias recebeu do Senhor o capítulo 3 descreve a imagem do Sumo Sacerdote Josué diante do Anjo do Senhor e do Acusador. Estudiosos do Antigo Testamento discordam sobre quem é o Anjo do Senhor nesta passagem. Alguns afirmam que ele é simplesmente um anjo. Outros sugerem que o contexto aponta para a visão do Cristo Pré-Encarnado. Calvino comentando essa passagem disse: “Cristo é, sem dúvida, o significado” (John Calvin, Commentary on Zechariah, 83). E isso é reforçado pela repreensão no versículo 2.

A palavra Satanás quer dizer “adversário ou opositor”. No livro do Apocalipse ele também é chamado de o “acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10). Josué estava em silêncio e impotente diante dele, porque suas acusações tinham mérito. Josué andava tão preocupado com as nações inimigas de Israel que se esqueceu do terrível trabalho do acusador (Ef 6.12) O que Deus constrói Satanás tenta derrubar. Onde algo bom está acontecendo Satanás semeia o mal.

Mas, encontramos um detalhe importante nessa visão. Não foi Josué (e ele mesmo jamais poderia) quem repreendeu a Satanás, “Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende, ó Satanás; sim, o SENHOR, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” (v.2). “Saibamos, portanto, que Deus não é simplesmente o inimigo de Satanás, mas também aquele que nos levou sob sua proteção, e que vai nos preservar seguros até o fim … A guerra, portanto, é problemática e difícil, mas a vitória é não duvidosa, pois Deus sempre está do nosso lado”(John Calvin, Commentary on Zechariah, 84).

Assim como o salmista (Salmo 27 e outros), Josué descobriu “o Senhor é a defesa da minha vida”, “meu libertador”, “minha fortaleza”, “meu refúgio”, “meu pastor”. Não nos é dito para repreender o diabo, mas resistir a ele (1 Pedro 5.8-9; Tiago 4.7).

2 – O SENHOR escolheu os “sem esperança” (v.2)

Poucas doutrinas são mais animadoras em meio as lutas dos crentes do que a da eleição soberana de Deus. Enquanto Satanás acusa, Deus repreende por causa da Sua escolha soberana. Não há panos quentes ou negação da nossa indignidade. Perceba que Josué é “um tição tirado do fogo”. Deus por seu grande favor e graça decidiu resgatar Josué e os israelitas remanescentes do fogo do juízo da Babilônia.

Conclusão

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.33-34).

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.3-7)

De acordo com Escritura, a eleição não nos salva – isso pertence à obra redentora de Cristo. Contudo, a eleição nos torna salváveis, pois Deus coloca Sua designação soberana sobre nós, e através de Cristo nos arranca do fogo do inferno. Portanto, aqueles a quem Deus elege, Ele também fornece os meios para estar em pé diante dele (Ef 2.8-10).

Soli Deo Gloria!

Pr. Alan Kleber