Amados irmãos,
A cena final do Evangelho de João é profundamente consoladora. Depois da ressurreição, o Senhor Jesus encontra-se com Pedro à beira do mar e, ali, trata com ele não apenas como apóstolo, mas como homem caído, ferido e necessitado de restauração. Pedro havia negado o seu Mestre. Tinha falhado publicamente. Havia tropeçado justamente no ponto em que mais confiava em si mesmo. Mas Cristo, em sua graça soberana, não o abandona.
Nosso Senhor não ignora o pecado, nem trata superficialmente a queda de seus servos. Ele vai ao coração da questão. Por isso, pergunta a Pedro: “Tu me amas?” Não é uma pergunta meramente sentimental. É uma pergunta que expõe, humilha, purifica e restaura. Antes de falar de serviço, Cristo fala de amor. Antes de confirmar a vocação, ele trata do coração. Antes de dizer “apascenta as minhas ovelhas”, ele pergunta: “Tu me amas?”
Esta passagem nos ensina que a vida cristã não é sustentada por
autoconfiança, mas por graça. Pedro caiu porque confiou em sua própria força; foi restaurado porque Cristo o sustentou por sua misericórdia. E o mesmo se dá conosco. Quantas vezes também falhamos em palavras, atitudes, omissões, temores e fraquezas? Quantas vezes prometemos fidelidade, mas revelamos fraqueza? Ainda assim, o Senhor continua sendo o restaurador de pecadores arrependidos.
É também digno de nota que, ao restaurar Pedro, Cristo não apenas o perdoa — ele o reconduz ao serviço. “Apascenta os meus cordeiros… pastoreia as minhas ovelhas… apascenta as minhas ovelhas.” O rebanho pertence a Cristo. O amor por Cristo se manifesta no cuidado com aquilo que é precioso para Cristo. E esse princípio não vale somente para ministros ordenados; em medida própria, vale para todos nós. Quem ama o Senhor deve viver em fidelidade, serviço, cuidado mútuo e perseverança.
Nos versículos finais, quando Pedro pergunta sobre João, o Senhor o corrige: “Que te importa? Quanto a ti, segue-me.” Que palavra necessária para a Igreja. Somos muito inclinados a olhar para os lados — para comparar, medir, especular, questionar o caminho alheio. Mas Cristo nos chama à obediência pessoal. O chamado do discípulo não é controlar o destino dos outros, mas seguir fielmente o seu Senhor.
Portanto, a Palavra de Deus nos convida a examinar o coração. Amamos de fato a Cristo? Temos confiado em nós mesmos? Temos andado em humildade? Temos seguido o Senhor com perseverança, ou estamos distraídos com o caminho dos outros? O Cristo ressurreto continua sondando, corrigindo e restaurando o seu povo. E sua graça continua sendo suficiente para pecadores como nós.
Que o Senhor nos conceda um amor mais sincero por Cristo, um arrependimento mais profundo, e uma disposição renovada para ouvi-lo dizer, uma vez mais:
“Segue-me.”
Oração
Senhor nosso Deus,
nós te agradecemos por tua santa Palavra e pela graça do Senhor Jesus, que restaura pecadores, firma os vacilantes e chama os teus servos a segui-lo com fidelidade.
Perdoa-nos por nossa autoconfiança, por nosso amor tão fraco e por tantas vezes desviarmos os olhos de Cristo. Renova em nós um coração humilde, obediente e cheio de amor pelo Salvador. Faze-nos ouvir, não apenas a pergunta: “Tu me amas?”, mas também o teu chamado: “Segue-me”.
Fortalece a tua Igreja, sustenta os cansados, restaura os abatidos, consola os aflitos e guarda-nos em tua graça até o fim. E que, em tudo, nossa vida e nossa perseverança glorifiquem o teu nome.
Nós te pedimos estas coisas em nome de Jesus Cristo, o Supremo Pastor das ovelhas. Amém.
Em Cristo,
Pr. Alan