Evangelização e a Guerra Cultural

O que é evangelismo? Evangelismo é o processo, planejado por Deus, no qual a velha humanidade em Adão é suplantada pela nova humanidade em Cristo. Isso não entra em conflito com nossa definição mais familiar (e estreita) de evangelismo, mas certamente vai muito além dela:

“Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé.” (Romanos 4.13)

O evangelismo de indivíduos como tal é glorioso e necessário, mas em algum momento, os resultados de tal evangelismo o levarão ao ponto de massa crítica, e você descobrirá goste ou não, que se engajou a cultura circundante. Este é o desígnio de Deus.

No centro de toda cultura há um culto, uma forma de adoração. Basta dizer que a Grande Comissão exige que discipulemos, batizemos e ensinemos obediência a todos os etnoi, todas as nações dos homens. Isso significa que um evangelismo robusto não pode ser feito sem desafiar os deuses do sistema mundano.

Embora não devamos desprezar o dia dos pequenos começos, e devamos trabalhar fielmente nas pequenas coisas, não devemos nos distrair da missão e objetivo final, desviando-nos para apanhar os retardatários do diabo e sair com eles para construir um gueto evangélico.

Evangelismo é combate entre os deuses, isto é, entre o Deus vivo e trino da Bíblia e os ídolos da nossa época. Evangelismo é, portanto, guerra religiosa no mais alto nível.

O evangelismo está bem no centro das chamadas guerras culturais. Mas os cristãos têm um problema aqui. As guerras culturais pressupõem que temos uma cultura. Você não pode ter uma guerra de tanques sem tanques. Você não pode ter uma batalha naval sem navios. Você não pode ter uma guerra cultural sem uma cultura. E por cultura, não me refiro a uma versão higienizada de classificação livre do que quer que os incrédulos estejam fazendo. O desenvolvimento da cultura cristã deve incluir (e não se limitar a) celebração do Dia do Senhor, música, literatura, poesia, arquitetura, erudição e com a liturgia no centro dirigindo tudo.

Mas, as guerras culturais nesse sentido pressupõem conflito. Tal conflito não é um sinal de que algo deu terrivelmente errado. Os dois lados não têm apenas armas opostas, mas também visões opostas sobre a natureza do conflito e de quem é a culpa. O conflito é confuso, não organizado. A confusão abunda. Podemos esperar que o pecado se manifeste do nosso lado. E devemos nos regozijar no tumulto:

“Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu; pois dessa forma procederam seus pais com os profetas” (Lucas 6.22-23).

Isso significa que a coragem necessária para o evangelismo é mais do que superar o medo do palco ou de estranhos. Jesus é Senhor não somente de Gênesis a Apocalipse. Ele é o Senhor não apenas de João 3.16, ou somente do céu. Ele é o Senhor de todos, o Cristo de todos, o Salvador do mundo.

É por isso que nossa adoração a Cristo é evangelisticamente potente. Evangelismo não é principalmente falar aos homens sobre Deus; trata-se de adorar a Deus pelo bem da humanidade.

Na adoração, ascendemos aos lugares celestiais (Hebreus 12.22-29). Nós nos reunimos para glorificar e adorar o Cordeiro que foi morto. Então podemos pedir (com ousadia) que o nome de Jesus seja glorificado na terra da mesma forma que foi no céu (Mateus 6.10). Oramos “venha o teu reino”, não “vai o teu reino”.

Em todo o livro de Apocalipse, vemos a mesma coisa. O culto de adoração realizado no céu conduz todos os eventos na terra. E a resposta de Abraão às promessas de Deus para ele (além da fé) foi construir um altar (Gênesis 12.7). Em outras palavras, ele mostrou sua fé de que Deus lhe daria uma terra estabelecendo um lugar naquela terra para a adoração.

Antes de prosseguir, deve-se notar que adoração não é louvor e não consiste em “sentir-se adorador”. Tanto em hebraico quanto em grego, adoração significa serviço. Quando Abraão foi sacrificar Isaque, ele disse que iria adorar. Ele não quis dizer que eles iriam para o Monte Moriá, tocar as guitarras e o projeto geral para um pouco de religião show. Ele quis dizer que iria servir a Deus, fazendo o que foi ordenado. Quando Isaías disse: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim”, isso foi adoração. E isso ajuda a entender Romanos 12.1-2) – a apresentação de nossos corpos a Deus é nossa adoração espiritual:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Também devemos tomar cuidado com a leitura individualista do texto. “O SENHOR ama as portas de Sião mais do que todas as habitações de Jacó (Salmo 87.2). Deus valoriza a adoração da grande congregação sobre devoções particulares. Ó vinde, adoremos e prostremo-nos.

À medida que adoramos, nos tornamos cada vez mais parecidos com o Deus que adoramos:

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.17-18).

Perceba que o apóstolo Paulo fala que isso acontece com “todos nós”. A mesma coisa acontece com os incrédulos. Eles se tornam cada vez mais parecidos com os deuses que adoram – cegos, surdos, mudos e estúpidos:

“Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.” (Salmo 115.4-8).

Nossa transformação é na semelhança da Trindade – forma e liberdade, dar e receber, unidade e diversidade. Por outro lado, a transformação dos adoradores incrédulos se assemelha em uma opressão unitária ou anarquia politeísta.

É por isso que nossa liturgia precisa ser implantada como se fosse um aríete – porque de fato o é. Devemos orar assim. Devemos adorar com esta intenção:

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10.4-5).

E ao sitiarmos os portões do reino das trevas, adorando a Deus dessa maneira, não devemos nos surpreender quando nossos inimigos, de vez em quando, derramarem óleo fervente sobre as nossas cabeças. Adoração é guerra contra o mundo, a carne e o diabo.

Christus victor,

Rev. Alan Kleber Rocha

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