Ele Padeceu sob o Poder de Pôncio Pilatos (João 18.28–40)

Amada Congregação,

Ao contemplarmos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo diante de Pilatos, somos conduzidos a uma das cenas mais solenes e reveladoras de todo o Evangelho. Ali, no pretório romano, não está apenas um réu diante de um juiz terreno; está o Rei eterno diante do poder passageiro, a Verdade diante do ceticismo, o Justo diante da injustiça institucionalizada.

Pilatos pergunta: “Tu es rex Iudaeorum” (És tu o rei dos judeus?) — e, mais adiante, “Quid est veritas” (Que é a verdade?) Essas perguntas não brotam de um coração que busca a justiça, mas de uma consciência inquieta que prefere a conveniência à verdade. Pilatos reconhece a inocência de Cristo — “Ego nulla invenio in eo causam” Não acho nele crime algum” — e, ainda assim, não O liberta. Ele tenta negociar a justiça, acomodar a verdade, encontrar um meio-termo entre sua consciência e a pressão dos homens. Mas não há neutralidade possível diante de Cristo.

O Senhor, por sua vez, não se defende como um acusado comum. Ele não apela para suas obras, nem implora absolvição. Ele testemunha da verdade. Declara que seu Reino não é deste mundo, não procede da força, não se estabelece pela espada. Seu Reino avança pela obediência, pelo testemunho fiel, pela entrega voluntária. É um Reino que não se impõe, mas que julga; não domina pela violência, mas vence pela cruz.

Nesse tribunal, vemos também o retrato do coração humano. O povo, instigado por seus líderes, prefere Barrabás — o violento, o rebelde, o homicida — ao Filho de Deus. O culpado é solto; o inocente é condenado. E, sem que percebam, eles proclamam o coração do evangelho: o Justo toma o lugar do injusto; o Cordeiro sofre para que o pecador seja liberto.

Essa cena nos chama à autoavaliação. Não somos nós, muitas vezes, como Pilatos? Sabemos o que é certo, reconhecemos a verdade, mas adiamos a obediência por medo, por cálculo, por desejo de aceitação. Não somos também tentados a escolher “Barrabás” em suas formas modernas — soluções rápidas, poderes deste mundo, caminhos de força — em vez do caminho estreito da fidelidade a Cristo?

O Senhor Jesus permanece diante de nós como permaneceu diante de Pilatos: manso, soberano, verdadeiro. Ele ainda declara: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” A questão decisiva não é apenas “o que é a verdade?”, mas se somos da verdade a ponto de ouvir, crer e obedecer.

Que o Espírito Santo nos conceda corações sensíveis à verdade, coragem para confessar Cristo sem concessões e graça para vivermos como cidadãos do Reino que não é deste mundo, enquanto ainda peregrinamos nele.

Oração Pastoral

Senhor nosso Deus, justo e verdadeiro, nós te louvamos porque, mesmo quando a justiça humana falha e a verdade é desprezada, tu permaneces soberano sobre todos os tribunais da terra. Diante de Pilatos, teu Filho não negou a verdade, não recuou de sua missão, nem se esquivou do caminho da cruz.

Perdoa-nos, ó Pai, quando sabemos o que é certo, mas escolhemos o conveniente; quando reconhecemos a inocência de Cristo, mas retardamos nossa obediência; quando tentamos conciliar a verdade com o medo dos homens. Livra-nos do espírito de Pilatos e do clamor da multidão.

Dá-nos um coração que seja da verdade, para ouvirmos a voz de Cristo, segui-lo com fidelidade e confessá-lo sem reservas. Ensina-nos a viver neste mundo como cidadãos do Reino que não procede dele, aguardando o dia em que o Rei, antes rejeitado, será publicamente manifestado em glória. Recebe nossa vida, nossa adoração e nossa obediência, por meio de Jesus Cristo, o Rei fiel e verdadeiro. Amém.

Pr. Alan Kleber

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