
O livro de Números se aproxima do final nos conduzindo a um tema profundamente pastoral: o cuidado de Deus com a vida do seu povo e a provisão de refúgio em meio ao pecado e à fragilidade humana.
Em Números 35, o Senhor ordena que cidades sejam dadas aos levitas e que, dentre elas, seis sejam separadas como cidades de refúgio. Esses lugares não existiam para banalizar a morte, mas para afirmar algo muito mais profundo: a vida humana é sagrada, porque Deus habita no meio do seu povo. O sangue derramado injustamente contaminava a terra, e a justiça precisava ser preservada; ao mesmo tempo, a misericórdia de Deus estabelecia abrigo para aquele que, sem intenção, havia causado a morte de outro.
As cidades de refúgio nos ensinam que Deus não governa seu povo pela vingança descontrolada, mas pela justiça acompanhada de misericórdia. Ele interrompe ciclos de ódio, freia a violência, estabelece o julgamento comunitário e afirma o valor da vida diante de toda a congregação. Onde Deus habita, a vida não pode ser tratada com descaso.
Contudo, à luz de toda a Escritura, somos levados a enxergar algo ainda maior. As cidades de refúgio apontam para Cristo, o verdadeiro e definitivo abrigo. Nós não fugimos para Ele por causa de um pecado involuntário, mas por causa da nossa culpa real, consciente e repetida. Ainda assim, em Cristo encontramos graça. Seu sangue não contamina a terra; ao contrário, purifica consciências e reconcilia pecadores com Deus.
Na antiga aliança, o fugitivo permanecia no refúgio até a morte do sumo sacerdote. Na nova aliança, somos libertos porque o nosso Sumo Sacerdote morreu por nós. Nele há perdão completo, paz verdadeira e restauração plena.
Vivendo como povo entre o qual Deus habita, somos chamados a refletir essa realidade: honrar a vida, buscar a justiça, rejeitar a vingança, cultivar a misericórdia e viver em santidade. A Igreja deve ser, no mundo marcado pela violência e pelo medo, um sinal vivo de que há refúgio seguro no Senhor.
Que corramos sempre para Cristo. Nele estamos seguros.
Oração
Senhor nosso Deus,
nós te louvamos porque és justo e misericordioso,
porque não ignoras o pecado,
mas também não negas abrigo ao que se arrepende.
Te agradecemos por Jesus Cristo,
nosso verdadeiro Refúgio e eterno Sumo Sacerdote.
Nele encontramos perdão, vida e paz contigo.
Nos ensina a viver como povo entre o qual tu habitas:
honrando a vida, praticando a justiça
e andando em santidade diante de ti.
Nos guarda em Cristo, hoje e sempre.
Em nome de Jesus. Amém.
Pr. Alan Kleber