
Amados irmãos,
Ao contemplarmos a cena de João 19:25–42, somos conduzidos ao lugar mais santo de toda a história: a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Ali não vemos apenas sofrimento; vemos redenção. Não apenas dor; vemos consumação. Não apenas morte; vemos vitória.
O evangelista João nos chama a permanecer “junto à cruz”. Não como espectadores distantes, mas como aqueles que foram alcançados pela graça. Enquanto muitos estavam ali por ódio ou indiferença, havia um pequeno grupo que permanecia por amor — e isso nos ensina que a verdadeira fé não se afasta do Cristo crucificado, mesmo quando a cruz parece escândalo e fraqueza aos olhos do mundo.
Na cruz, vemos o cuidado do Salvador. Mesmo carregando o peso da ira de Deus contra o pecado, Jesus olha para sua mãe e a entrega aos cuidados do discípulo amado. Aqui aprendemos que a redenção não anula os deveres da piedade; antes, os santifica. O Cristo que morre pelos pecadores é o mesmo que ordena a vida de seus discípulos em amor e responsabilidade.
Ouvimos também o clamor: “Tenho sede.” Aquele que é a fonte da água viva experimenta a sede da maldição. Aquele que sustenta todas as coisas se coloca em necessidade. E o faz para que a Escritura se cumpra — porque, até o fim, Ele se submete perfeitamente à vontade do Pai.
E então, ecoa a palavra triunfante: “Está consumado.”
Não é um suspiro de derrota, mas a proclamação de uma obra perfeita. Tudo o que era necessário para a nossa salvação foi realizado. O pecado foi expiado, a justiça foi satisfeita, a dívida foi paga. Nada resta a ser acrescentado. Nada pode ser repetido. Nada precisa ser completado. Cristo fez tudo. Por isso, a cruz não é apenas o centro da história — é o centro da nossa fé, da nossa esperança e da nossa adoração.
Quando contemplamos o lado traspassado do Salvador, de onde fluem sangue e água, vemos os sinais da nossa salvação: justificação e purificação. O que o pecado destruiu, a graça restaurou. O que a culpa condenou, o sangue redimiu.
E, finalmente, vemos o corpo do Senhor sendo cuidadosamente sepultado. José e Nicodemos, antes tímidos, agora se mostram publicamente como discípulos. A morte de Cristo os transforma. E assim também deve ser conosco: não podemos permanecer ocultos diante de tão grande amor.
Cristãos, ao nos aproximarmos da Mesa do Senhor neste Dia do Senhor, lembremo-nos: não viemos completar a obra de Cristo, mas receber, pela fé, aquilo que Ele consumou. O pão e o cálice não são um novo sacrifício, mas sinais visíveis da obra perfeita já realizada. Venhamos, portanto, com humildade e fé. Venhamos não confiando em nós mesmos, mas no Cordeiro que foi morto. Venhamos “junto à cruz”, pois é ali que encontramos perdão, vida e paz.
Que o Senhor nos conceda permanecer firmes no Cristo crucificado, vivendo para a sua glória.
Oração
Ó Deus santo e gracioso,
nós te damos graças pela cruz de teu Filho,
onde tua justiça foi plenamente satisfeita
e tua misericórdia gloriosamente revelada.
Nós te louvamos porque o Senhor Jesus Cristo
permaneceu firme até o fim,
bebeu o cálice que nos era devido
e declarou com autoridade:
“Está consumado”.
Perdoa-nos, ó Pai,
porque tantas vezes nos mantemos distantes da cruz,
confiando em nós mesmos,
temendo os homens
e negligenciando tão grande salvação.
Concede-nos um coração quebrantado e contrito,
uma fé viva no Redentor,
e um amor sincero por Cristo e por sua Igreja.
Ao nos aproximarmos da tua mesa,
faz-nos lembrar que nada temos a oferecer,
senão mãos vazias que recebem tua graça.
Nutre-nos espiritualmente por meio de Cristo,
fortalece nossa fé,
e confirma em nós a certeza do perdão.
E assim, ó Senhor,
faz-nos viver como povo redimido,
andando em santidade, humildade e gratidão,
até o dia em que veremos face a face
aquele que foi crucificado por nós.
Oramos em nome de Jesus Cristo,
nosso Senhor e Salvador. Amém.
Pr.Alan Kleber