João 20:11–23

Há momentos em que o povo de Deus se parece muito com Maria junto ao sepulcro e com os discípulos trancados no cenáculo. Maria chorava; os discípulos temiam. Maria olhava para o túmulo vazio sem compreender; os discípulos olhavam para os judeus e se escondiam. Uns estavam dominados pela tristeza, outros pelo medo. Mas em ambos os cenários o Cristo ressurreto se faz presente, e sua presença transforma tudo.

João 20 nos mostra que a ressurreição de Jesus não é apenas uma verdade para ser confessada; é uma realidade que muda a vida do seu povo. O Senhor não permaneceu no sepulcro. Ele venceu a morte, triunfou sobre o pecado, satisfez plenamente a justiça de Deus e levantou-se em glória para ser reconhecido, adorado e anunciado.

Maria, em sua dor, ainda não conseguia perceber que o vazio do túmulo era, na verdade, o fundamento de sua esperança. Quantas vezes também nós choramos como se tudo estivesse perdido, quando, na realidade, o Senhor já está operando vitória, consolo e redenção. Quantas vezes nossas lágrimas nascem não apenas da dor, mas também da nossa pequena fé. Contudo, o texto nos mostra a ternura do Salvador: ele não abandona os seus na confusão, mas vem ao encontro deles. Ele chama Maria pelo nome. Ele se aproxima dos discípulos em seu medo. Ele não se revela com dureza, mas com graça.

A beleza deste texto está justamente aí: o Cristo ressurreto vem para os seus. Ele não espera que Maria encontre sozinha o caminho da alegria; ele mesmo se manifesta a ela. Ele não aguarda que os discípulos superem por si mesmos sua covardia; ele entra no recinto fechado e põe-se no meio deles. A ressurreição não é apenas a vitória de Cristo sobre a morte; é também a demonstração de seu amor perseverante por sua igreja.

E a primeira palavra do Cristo ressurreto aos discípulos é profundamente consoladora: “Paz seja convosco.” Não uma paz superficial, nem mera tranquilidade emocional, mas a paz comprada por seu sangue. Paz com Deus. Paz para a consciência. Paz para o coração amedrontado. Paz para aqueles que falharam. Paz para aqueles que o abandonaram. Aquele que tinha toda razão para repreendê-los chega, porém, com reconciliação. O Cristo que foi crucificado agora mostra as mãos e o lado, como que a dizer: a paz que vos dou foi estabelecida por minhas feridas.

Essa cena permanece viva para a igreja de hoje. Muitas vezes também nos reunimos carregando fardos, culpas, angústias e temores. O mundo ao nosso redor continua hostil. As portas ainda parecem fechadas. O coração ainda vacila. Mas o mesmo Jesus vive e continua a colocar-se no meio do seu povo. Ele continua a falar paz. Ele continua a consolar os quebrantados. Ele continua a se revelar aos que o amam. Ele continua a enviar sua igreja ao mundo com uma mensagem de perdão e reconciliação.

João 20 também nos ensina que a igreja é uma comunidade moldada pela ressurreição. Somos chamados “irmãos” de Cristo. Somos trazidos à relação filial com o Pai. Recebemos paz. Somos enviados ao mundo. Somos vivificados pelo Espírito Santo. Tudo isso mostra que a ressurreição inaugurou uma nova realidade. A igreja não vive à sombra de um túmulo, mas à luz de um Senhor vivo.

Por isso, a vida cristã não deve ser governada pelo medo, nem pela tristeza sem esperança, nem pelo apego ao que é terreno. O Senhor ressuscitou. Ele conhece os seus pelo nome. Ele está presente no meio da sua igreja. Ele nos chama a viver em paz, em alegria e em missão.

Que o Senhor nos conceda, portanto, olhos para vê-lo, ouvidos para ouvir sua voz e corações prontos a responder como Maria: “Raboni!” E que, como os discípulos, sejamos transformados por sua presença, passando do temor à alegria, da dispersão à comunhão, do recolhimento à missão.

O Cristo ressurreto está vivo. E, porque ele vive, sua igreja pode viver em paz, servir com coragem e esperar com confiança.

Em Cristo,

Pr. Alan Kleber

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