O início da carta aos Romanos nos coloca diante de uma verdade que muitos prefeririam evitar: Deus não está em silêncio diante do pecado. O apóstolo Paulo afirma que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1:18).
Essa afirmação nos confronta profundamente. Em um mundo que insiste em redefinir o bem e o mal, Romanos nos chama de volta à realidade: o problema fundamental da humanidade não é a falta de informação, mas a rejeição deliberada da verdade. Os homens conhecem a Deus, mas não o glorificam como Deus, nem lhe dão graças.
O pecado, portanto, não é apenas transgressão — é ingratidão. É viver no mundo de Deus como se Ele não fosse digno de honra. É usufruir de sua criação enquanto se volta contra o Criador.
E aqui está um dos aspectos mais solenes do juízo divino: Deus entrega o homem a si mesmo.
Quando Deus retira sua mão restritiva, o homem não encontra liberdade, mas escravidão. Não encontra plenitude, mas degradação. Não encontra vida, mas morte. A cultura que rejeita a Deus inevitavelmente caminha para sua própria desintegração.
Mas Romanos não começa apenas com a revelação da ira. Antes disso, Paulo já havia declarado algo glorioso: o evangelho é o poder de Deus para a salvação.
A mesma carta que expõe a profundidade do pecado também revela a grandeza da graça.
Cristo veio exatamente para este mundo — um mundo que suprime a verdade, troca a glória de Deus e se perde em seus próprios caminhos. Ele não veio para os justos, mas para pecadores. Não veio para os que pensam ver, mas para os que estão em trevas.
E nele, Deus não apenas julga o pecado — Ele o redime.
Na cruz, vemos a ira e a graça se encontrando. O pecado é tratado com toda a sua seriedade, e o pecador é alcançado com toda a misericórdia. Em Cristo, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, justificador daquele que crê.
Diante disso, qual deve ser a resposta da igreja?
Primeiro, humildade. Não estamos acima do diagnóstico de Romanos 1 — fomos resgatados dele.
Segundo, gratidão. Se não fosse a graça, estaríamos entregues a nós mesmos.
Terceiro, ousadia. Não nos envergonhamos do evangelho, porque ele é o único poder capaz de salvar.
Vivemos em um tempo em que o mundo precisa desesperadamente da mensagem de Romanos — ainda que não saiba disso. E Deus nos colocou exatamente neste tempo.
Que sejamos uma igreja que vive pela fé, que não negocia a verdade, e que proclama, com amor e fidelidade, o evangelho de Jesus Cristo.
Oração Final
Ó Deus santo e misericordioso,
nós te damos graças pela tua Palavra,
que nos revelou nossa condição
e, ao mesmo tempo, nos apontou para a tua graça em Cristo.
Tu nos mostraste que o evangelho é o teu poder para a salvação,
e que nele a tua justiça é revelada de fé em fé.
Concede-nos, Senhor, uma fé viva, firme e perseverante,
para que não nos envergonhemos do evangelho,
mas o confessemos com ousadia em nossa geração.
Guarda-nos de suprimir a verdade,
livra-nos da ingratidão e da dureza de coração,
e faze-nos andar na luz da tua presença.
Envia-nos agora ao mundo como testemunhas de Cristo,
para que, em nossas palavras e em nossa vida,
o teu nome seja glorificado entre as nações.
E que a graça do Senhor Jesus Cristo,
o amor de Deus Pai
e a comunhão do Espírito Santo
sejam com todos nós, hoje e para sempre.
Amém.
Pr. Alan Kleber