Uma das perguntas mais profundas do evangelho é esta: como pode um Deus santo declarar justo um pecador culpado? Se Deus simplesmente condenasse todos os homens, Ele seria justo, pois “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Mas Deus também havia prometido a Abraão que, nele, todas as famílias da terra seriam abençoadas. A justiça de Deus não poderia anular sua promessa, e sua promessa não poderia negar sua justiça.
A resposta está em Cristo.
Em Romanos 3:21–31, Paulo anuncia que a justiça de Deus se manifestou. Essa justiça, testemunhada pela lei e pelos profetas, agora se revelou plenamente em Jesus Cristo. Na cruz, Deus não ignorou o pecado, não fingiu que a culpa não existia, nem perdoou de modo barato. O pecado foi tratado no sangue de Jesus.
Cristo foi apresentado como propiciação, isto é, como sacrifício substitutivo. Ele tomou sobre si a culpa do seu povo, satisfez a justiça divina e redimiu pecadores pelo seu sangue. Por isso, Deus é ao mesmo tempo justo e justificador: justo, porque o pecado foi
punido; justificador, porque o pecador que crê é declarado justo gratuitamente, por graça, mediante a redenção que há em Cristo.
Essa é a glória do evangelho. Deus não deixa de ser santo para ser misericordioso. Ele não perdoa à custa da verdade. Em Cristo, a justiça e a graça se encontram. Na cruz, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, salva pecadores.
Por isso, toda vanglória é excluída. Ninguém é salvo por obras, tradição, moralidade, desempenho religioso ou mérito pessoal. Somos justificados pela fé, independentemente das obras da lei. A fé é a mão vazia que recebe Cristo e descansa somente nele. Ela não compra a salvação, não acrescenta pagamento, não produz mérito; apenas se apega ao Salvador.
Essa verdade humilha o orgulho humano e consola o pecador arrependido. Se nossa aceitação diante de Deus dependesse de nossa obediência perfeita, estaríamos perdidos. Se dependesse da força dos nossos sentimentos, viveríamos sem descanso. Mas a nossa justificação repousa sobre a obra consumada de Jesus.
Agora, todos os que creem em Cristo podem viver livres da culpa, do medo e da condenação. Não livres para pecar, mas livres para servir; não livres para desprezar a lei de Deus, mas livres para obedecer como filhos perdoados; não livres para vanglória, mas livres para gratidão.
Vivamos, portanto, como povo justificado: humildes diante da santidade de Deus, firmes na justiça de Cristo, gratos pela graça recebida e zelosos em boas obras. Deus é justo. Deus é santo. Deus odeia o pecado. Mas Deus também é o justificador daquele que tem fé em Jesus. Essa é a nossa paz, nossa esperança e nossa canção.
Oração final
Ó Deus santo, justo e misericordioso,
nós te louvamos porque, em Jesus Cristo,
tu revelaste a tua justiça e a tua graça.
Reconhecemos que nada temos em nós mesmos
que possa nos justificar diante de ti.
Nossas obras não podem nos salvar,
nossos méritos não podem apagar nossa culpa,
e nossa religiosidade não pode nos dar vida.
Mas te damos graças porque Cristo foi apresentado
como propiciação em seu sangue.
Na cruz, tua justiça foi satisfeita,
tua promessa foi cumprida
e teu povo foi redimido.
Ensina-nos a descansar somente em Cristo.
Livra-nos de toda vanglória
e faze-nos viver como povo justificado:
humildes, gratos, obedientes e cheios de esperança.
Que a certeza do perdão vença a culpa,
que a paz do evangelho vença o medo,
e que toda a nossa vida seja para o louvor da tua glória.
Por Jesus Cristo,
o Justo que nos torna justos.
Amém.
Pr. Alan Kleber