Romanos 6
Há uma pergunta que Paulo antecipa com maestria ao abrir o sexto capítulo de sua carta aos Romanos — e ela é, infelizmente, a mesma pergunta que muitos fazem ainda hoje: “Se a graça abunda onde o pecado abundou, por que não continuarmos pecando?” A resposta do apóstolo é direta e sem rodeios: De modo nenhum. Paulo não nos convida a um debate filosófico. Ele nos agarra pelo batismo.
Vocês foram batizados. Isso significa algo. O batismo não é uma cerimônia decorativa, um rito de passagem cultural ou um símbolo vazio. É a semelhança da morte e da ressurreição de Jesus Cristo aplicada sobre você. Quando você desceu àquela água, foi plantado na morte do Senhor. Quando saiu dela, foi unido à Sua ressurreição. Você não é mais a mesma pessoa. O velho homem — aquele Adão que você era, escravo do pecado e herdeiro da morte — foi crucificado com Cristo. Ele está morto. Você não precisa mais servi-lo.
Mas atenção: o velho homem estar morto não significa que a carne está morta. Seu
corpo mortal ainda fará suas sugestões. O mundo ainda apresentará suas ofertas.
Por isso Paulo não diz apenas “saibam que estão mortos para o pecado” — ele diz também “não deixem o pecado reinar.” Há aqui um chamado ativo, diário, à vigilância. Como ensinavam os puritanos: arranque as ervas enquanto ainda têm o tamanho de uma unha. Não espere que cresçam até a coxa.
E aqui está o ponto que nossa época mais precisa ouvir: graça não é permissão para pecar — é poder para não pecar. Vivemos num tempo em que a palavra graça foi sequestrada e redefinida como tolerância divina ao pecado contínuo, como se Deus piscasse o olho para nossas transgressões por amor à misericórdia. Mas Paulo diz exatamente o oposto. Estar debaixo da graça é estar liberto da escravidão ao pecado — não licenciado para nela permanecer. A graça não abaixa o padrão; ela nos capacita a alcançá-lo.
Paulo nos apresenta duas e somente duas opções: você é escravo do pecado, que leva à morte, ou escravo da justiça, que leva à vida. Não existe meio-termo, não existe neutralidade, não existe autonomia. Toda criatura serve a alguém. A questão não é se você obedecerá, mas a quem. E a glória do evangelho é que, em Cristo, a servidão à justiça não é um fardo — é liberdade. É a única liberdade real que existe.
Por isso, irmãos, venham ao culto de hoje com esta realidade firmada em seus corações: vocês morreram com Cristo, e com Ele vivem. O pecado não tem mais direito legal sobre vocês. A morte não é a última palavra. O salário do pecado é a morte — mas o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Considerai-vos mortos para o pecado. E vivei.
Oração
Pai celestial,
Vimos diante de Ti como povo de aliança — batizados na morte de Cristo e chamados a andar na Sua ressurreição.
Rogamos por esta congregação. Que cada irmão saiba, no fundo do coração, que o velho homem está morto — e que não precisa mais servi-lo. Liberta-os da tirania do pecado que se disfarça de liberdade, e da falsa graça que se disfarça de misericórdia.
Intercedemos pelos que tropeçaram, pelos que carregam pecados escondidos que crescem em silêncio. Que a Tua Palavra alcance esses lugares ocultos com luz e com poder, e que o arrependimento venha — não como desespero, mas como retorno ao Pai.
Oramos pelos que duvidam de que a graça seja para eles. Lembra-lhes que o dom não se ganha nem se merece — é dado. É Teu. É graça.
Sustenta-nos nesta semana. Que apresentemos nossos membros a Ti como instrumentos de justiça — como vivos dentre os mortos.
Porque o pecado não terá domínio sobre nós. Estamos debaixo da graça.
Em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Amém.
Pr. Alan