Guardando o Dia do Senhor em meio à Copa do Mundo

O domingo de hoje, se anuncia diferente para muitos lares sergipanos e brasileiros: às 18h, exatamente no horário do nosso culto vespertino, a Seleção Brasileira entrará em campo pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Sei que, para muitos de vocês, este será um convite silencioso — e não tão silencioso assim — a trocar a Santa Convocação pelo brilho passageiro de uma tela.

Não escrevo para condenar o entusiasmo pelo futebol, nem para fingir que essa coincidência de horários não representa uma tensão real. Escrevo como pastor que ama o rebanho e que deseja, antes de tudo, que guardemos com sobriedade aquilo que Deus nos confiou: o Seu Santo Dia.

O MANDAMENTO QUE PERMANECE

“Guarda o dia de sábado, para o santificar, como o SENHOR teu Deus te ordenou” (Dt 5.12). A palavra “guardar”, no hebraico do texto, significa “proteger, cercar” — como quem guarda algo precioso demais para ser exposto ao descuido. O sábado, transposto para o Dia do Senhor sob a nova aliança, não é uma sugestão religiosa entre outras; é mandamento do próprio Deus, e permanece como tal.

O sábado não é, em sua essência, proibição — é dádiva. É Deus dizendo ao Seu povo: cessai, porque Eu governo todas as coisas, e o vosso trabalho não depende, em última instância, de vossa vigilância incessante. Descansar no Dia do Senhor é um ato de fé na providência de Deus, não um fardo religioso a mais em nossa agenda.

LAZER NÃO É DESCANSO

Vivemos num tempo em que o descanso bíblico foi substituído pelo lazer moderno. O lazer contemporâneo busca fugir da responsabilidade; o descanso do Dia do Senhor busca celebrar, sob Deus, o sentido de tudo o que fazemos durante a semana. São coisas diferentes, ainda que se pareçam à primeira vista.

Um jogo de futebol, legítimo como recreação em seu devido tempo, pertence à categoria do efêmero: começa, emociona, termina, e em poucos dias já não ocupa lugar em nossa memória. A Santa Convocação, ao contrário, é o encontro do povo de Deus com o próprio Deus, na pregação da Palavra, na oração e na comunhão dos santos — coisas que edificam a alma para a eternidade.

“A destruição do domingo cristão remove o descanso e o triunfo da obra do domínio” (R. J. Rushdoony).

UMA ESCOLHA QUE REVELA O CORAÇÃO

Irmãos, não se trata apenas de uma escolha de horário. Trata-se de uma escolha que revela onde está o nosso tesouro. Se, diante do conflito entre o culto e o jogo, o jogo vence com facilidade em nosso coração, isso nos diz algo sobre o que verdadeiramente amamos e adoramos. Não é pecado gostar de futebol; é motivo de exame de consciência quando o futebol nos afasta, ainda que por uma noite, da assembleia dos santos.

Lembrem-se: Israel foi lembrado, no próprio texto do mandamento, de que fora escravo no Egito e dali foi liberto por mão forte e braço estendido (Dt 5.15). A memória da libertação exigia a guarda do descanso. Nós também fomos libertos — não do Egito, mas do pecado — e a nossa gratidão por essa libertação encontra expressão semanal exatamente no culto que tantos serão tentados a abandonar hoje.

UMA PALAVRA PASTORAL, NÃO LEGALISTA

Não escrevo isto a vocês como quem impõe um jugo pesado. Se for possível, assista o jogo depois; se não for possível, aceitai com paz que você perdeu um jogo de futebol, não a vida. Nenhum resultado de Copa do Mundo — vitória ou derrota — terá o menor peso diante do trono de Deus. Mas a nossa fidelidade em guardar o Dia do Senhor, essa sim, é lembrada por Aquele que tudo vê.

Que o Senhor nos console: Ele não exige de nós um sacrifício amargo, mas um ato de amor e de fé. “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Co 15.58). O mesmo se aplica ao nosso descanso: ele não é vão, ainda que o mundo o considere uma perda.

Em Cristo, Senhor do sábado

Pr. Alan

Escolha um de nossos canais de comunicação e entre em contato conosco

Fale Conosco

Escolha um de nossos canais de comunicação e entre em contato conosco

Fale conosco

Sobre Nós

Organizada no dia 13 de dezembro de 1901, a Igreja Presbiteriana de Aracaju (IPA) faz parte de uma federação de igrejas denominada Igreja Presbiteriana do Brasil, estabelecida em nosso país desde 1859 (162 anos)…

Contato

Copyright © 2024 Igreja Presbiteriana de Aracaju