O DIA DA SUA EXECUÇÃO FOI ONTEM

“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8:1)

Há uma palavra que deveria estar gravada a fogo no coração de cada um de nós, e ela abre o capítulo mais consolador de toda a Escritura: nenhuma condenação. Não “pouca condenação”, não “condenação adiada”, não “condenação suspensa mediante bom comportamento”. Nenhuma. E note a palavra que Paulo acrescenta: agora. Não se trata de uma esperança para depois da morte, condicionada ao nosso desempenho de amanhã. É uma declaração judicial, presente e definitiva. O tribunal já se pronunciou. O martelo já foi batido. O veredito é: absolvido.

Mas como pode o Juiz de toda a terra declarar justos a pecadores como nós — sem deixar de ser justo? A resposta do apóstolo é surpreendente: não há condenação porque houve condenação. Deus não deu de ombros para o nosso pecado, não o varreu para debaixo do tapete do universo. Ele o condenou — na carne do seu próprio Filho. “Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne (Rm. 8:3). A cruz do Calvário foi o cumprimento da sentença que pesava sobre você e sobre mim. A ira não foi cancelada; foi consumada — sobre Aquele que se pôs voluntariamente em nosso lugar.

Permita-me uma ilustração. Imagine um condenado no corredor da morte. Se o governador adiar a execução por seis meses, isso é uma boa notícia? Apenas temporariamente — a pergunta angustiante permanece: “quando, então, serei executado?” Muita religiosidade é exatamente isso: um adiamento nervoso, uma vida inteira tentando empurrar o dia do acerto de contas, e chamando essa ansiedade de paz. O evangelho diz algo infinitamente melhor: para quem está em Cristo, o dia da execução foi ontem. Foi numa sexta-feira, fora dos muros de Jerusalém. Está consumado. Você está livre.

Alguém perguntará: mas e a lei de Deus? Fica descartada? De modo algum. O problema nunca foi a lei — santa, justa e boa. O problema éramos nós: a lei “estava enferma pela carne” (Rm. 8:3), desfeita pela nossa fraqueza, não pela dela. O pecado que mora no coração é um oportunista: toma até os bons mandamentos de Deus e fabrica com eles a “lei do pecado e da morte”. É por isso que nenhuma tábua de pedra, nenhum código escrito — nem mesmo escrito pelo dedo de Deus — pode consertar o coração humano. Para lidar com isso, Deus teve de nos dar o seu Espírito. E, para nos tornar aptos a receber o Espírito, o seu Filho teve de morrer. E agora, diz Paulo, a justiça da lei se cumpre em nós, que andamos segundo o Espírito (Rm. 8:4). O evangelho não anula a lei; realiza nela o que o Sinai exigia e não podia produzir.

Repare, então, no retrato do cristão que este texto pinta em três pinceladas: sem nenhuma condenação, livre da lei do pecado e da morte, e com a justiça da lei sendo cumprida nele. Em três palavras: absolvido, livre e santo. E não o retrato que, tristemente, tantos crentes carregam de si mesmos: carregados de culpa, acorrentados e crispados. O cristianismo bíblico não produz gente de consciência eternamente ferida e espinha curvada; produz gente absolvida que serve a Deus com alegria de filho, não com pavor de réu.

Por isso, querido irmão, deixo-lhe três palavras pastorais.

Primeira: pare de reabrir o processo que Deus encerrou. Se você está em Cristo, a sua consciência não tem autoridade para reinstaurar um julgamento que o Juiz supremo arquivou. Quando as acusações vierem — e virão —, responda com o texto: “Portanto, agora, nenhuma condenação há.”

Segunda: não viva adiando uma execução que já aconteceu. Não ande como réu quem foi declarado filho. A santificação não é a tentativa ansiosa de evitar a sentença; é a vida grata de quem já foi absolvido, andando no Espírito que lhe foi dado.

Terceira: se você ainda está fora de Cristo, não permaneça nem mais um dia. O corredor da morte é real, e a data está marcada, ainda que você não a conheça. Mas há um lugar — um só — onde a execução já ocorreu: a cruz do Filho de Deus. Fuja para lá. Creia nele. E ouça, também sobre a sua vida, o veredito que jamais será revogado.

Que o Deus que condenou o nosso pecado na carne de Cristo nos conceda viver esta semana como povo absolvido, livre e santo — para a glória do seu nome e o avanço do seu reino, até que a terra se encha do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar.

No amor do Pastor dos pastores,

Pr. Alan

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