Se Cristo está sendo pregado como ressurreto dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos? (1Co 15.12).
Na primeira carta de Paulo aos Coríntios, vemos o apóstolo tratar diversos problemas existentes naquela igreja, e dentre eles, o problema quanto a ressurreição dos mortos (v. 12).
O contexto anterior ao versículo 12 mostra que Paulo, e os demais apóstolos, pregavam Cristo em três momentos: morto, sepultado e ressuscitado ao terceiro dia, e tudo isso conforme as Escrituras. Entretanto, alguns entre os coríntios, afirmavam não haver ressurreição dos mortos.
Paulo não explicitou qual a origem da tal afirmação. Diante disso, trilhamos o caminho das possibilidades acerca da origem desta afirmação.
Uma das possibilidades diz respeito aos judeus, pois entre os coríntios havia os que diziam ser de Cefas (Pedro), provavelmente, os judeus. É possível que dentre os judeus na cidade de corinto, estivessem alguns dos saduceus, os quais afirmavam não haver ressurreição (Cf. Mt 22.23).
Outra possibilidade é a de que a afirmação contrária a ressurreição dos mortos, tenha tido origem na filosofia grega, a qual estava presente na cidade de Corinto, pois esta fazia parte do mundo grego da época.
Em Atenas, cidade próxima a Corinto, Paulo debateu com alguns filósofos epicureus e estoicos, os quais não acreditavam na ressurreição dos mortos (At 17.16-34).
De forma resumida, a filosofia grega entendia que a ressureição dos mortos era algo totalmente inconcebível, pois eles entendiam que o corpo é a prisão da alma, e que a morte significa a libertação da mesma. Logo, a ressurreição do corpo implica em a alma voltar a ser aprisionada.
Paulo lidou com este problema nesta seção (vv. 12-19), falando das implicações desta afirmação, que são as seguintes:
* Cristo não ressuscitou (v. 13);
* Pregação vã, e fé vã (v. 14);
* Falsas testemunhas (v. 15);
* Permanência nos pecados (v. 16, 17);
* Os mortos em Cristo estão perdidos (v. 18);
* Somos os mais dignos de compaixão dentre todos os homens (v. 19).
O argumento de Paulo diante dos céticos entre os coríntios foi o reductio ad absurdum (redução ao absurdo), o qual é a técnica de levar as premissas do argumento de um oponente para a sua conclusão lógica, com a finalidade de provar sua absurdez.
Esta absurdez existente entre os coríntios, isto é, a afirmação de que não há ressurreição dos mortos, está presente em alguns grupos religiosos. Os seguintes grupos rejeitam ou reinterpretam a doutrina da ressurreição física:
* Testemunhas de Jeová: “não acredita na ressurreição física do mesmo corpo. Eles ensinam que Jesus ressuscitou como uma criatura espiritual, e não com o mesmo corpo de carne e osso que foi sepultado, rejeitando a ressurreição corporal.”
* Espiritismo (Kardecismo): “não acredita na ressurreição do corpo físico (como a reanimação de um cadáver), mas sim na imortalidade da alma e na reencarnação, onde o espírito assume um novo corpo.
* Adventismo do Sétimo Dia: ensina o Aniquilacionismo, ou seja, defende que as almas dos ímpios serão completamente destruídas após o juízo final, e também nega o Estado Intermediário da alma e nega o tormento eterno.
* Cristianismo Liberal / Teologia Liberal: Alguns teólogos e igrejas protestantes de linha liberal tendem a interpretar a ressurreição como uma metáfora para a vitória da esperança ou uma experiência espiritual dos discípulos (visões), em vez de um evento físico histórico.
A teologia reformada, por sua vez, entende que a ressurreição física do corpo é uma doutrina bíblica, a qual está fundamentada na ressurreição do Senhor Jesus Cristo, que por sua vez é a pedra angular da fé cristã.
O Evangelho anunciado por Paulo e pelos demais apóstolos, Cristo morto, sepultado e ressurreto ao terceiro, continua sendo pregado no âmbito da teologia reformada.
Portanto, irmãos, rejeitaremos os falsos ensinos quanto a ressurreição dos mortos, e continuemos firmados no Evangelho apostólico, e reformado confessional. E assim, continuaremos sendo as pessoas mais felizes, pois a nossa esperança em Cristo vai além desta vida (v. 19).
Pr Élisson Oliveira.