“porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl 2.17).
Ainda que haja muita semelhança, há uma grande diferença entre a sombra e a realidade. Um exemplo perceptível dessa distinção é sombra de uma pessoa projetada pela luz do sol, a qual aponta a realidade.
A Bíblia Sagrada é a revelação especial de Deus para seu povo. Nela, pode-se ver a distinção entre as sombras e a realidade.
Nas páginas do Antigo Testamento está a revelação de Deus em forma de sombras, as quais apontam para a realidade revelada no Novo Testamento, Cristo.
Na carta aos Colossenses (2.4-23), Paulo apresenta um contraste entre as sombras (AT) e a realidade (NT). A razão desse contraste foi o falso ensino existente entre os colossenses acerca da revelação no AT e no NT. Este falso ensino tinha sua origem na filosofia judaizante, a qual tinha a seguinte perspectiva:
* “A Torá é sabedoria;
* O Templo de Jerusalém é o local da presença divina;
* A circuncisão física é necessária para a incorporação no povo de Deus;
* Os dias sagrados devem ser observados;
* As leis sobre alimentos puros e impuros devem ser obedecidas.”1
Em contraste a esta perspectiva, Paulo afirmou:
* “Cristo é sabedoria (2.3; cf. 1.15-20);
* Cristo é o novo e superior local da presença divina (1.19);
* A morte de Cristo “separa” os crentes do velho mundo, os quais agora se identificam com ele (2.11-13);
* A realidade da nova era encontrada em Cristo (2.16,17).“1
Diante desse contraste entre as sombras e a realidade, Paulo usou como base lógica para anular a perspectiva equivocada dos judeus, o que ele escreveu, inspirado pelo Espírito Santo, o versículo 17: “porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl 2.17).
A perspectiva judaica é uma realidade em muitos ambientes religiosos, como no catolicismo, no messianismo, no evangélico. O resultado de tal perspectiva e prática, é a idolatria, pois, nelas, acontece a substituição de Cristo, a realidade, pelas sombras.
Assim como Paulo, devemos olhar para a realidade, Cristo, pois o recebemos como Senhor, e portanto, devemos andar nele (v. 6). Nele, estamos sendo enraizados, edificados e confirmados na fé; permaneçamos na instrução que temos recebido dominicalmente pela pregação fiel, e assim cresceremos em ações de graças (v. 7).
“porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl 2.17).
Pr. Élisson Oliveira.
1Extraído de: Comentário do uso do AT no NT | COLOSSENSES